Artigo de Carlos Caixeta no Jornal Estado de Minas: “As Alavancas do Pós Crise”

Tempos de crise são difíceis mas também positivos pois colocam à prova a força da empresa, da reputação e modelos de gestão aplicados: o que está forte, o que está fraco, o que tem verdadeiramente o apoio das pessoas e o que só existe “para constar”, se a empresa segue com consistência sua ética e valores divulgados, se o rumo estratégico está claro, se os clientes confiam na promessa da marca, se os líderes lideram pelo exemplo, se os fornecedores e parceiros são aliados para a construção do sucesso nos negócios.

Os solavancos da crise foram muito positivos para o despertar de mudanças para a prosperidade dos negócios e construção da confiança com os atuais e potenciais clientes. Após essa turbulência toda de 2015, 2016 e repiques em 2017, um dos principais aprendizados foi que os líderes empresariais precisam estar dispostos a um processo contínuo de questionamento e autodesenvolvimento. Precisam compreender que o presente e o futuro são construídos a partir de seletivos aprendizados passados, da obsessiva vontade de fazer melhor a cada dia e de planos futuros para entregar mais valor e satisfação não só aos clientes, mas a todos os envolvidos com o desempenho da empresa.

Os momentos difíceis também nos ensinaram que as armadilhas mais comuns são:
– quebra do pacto de confiança entre a empresa e seus stakeholders (funcionários, clientes, fornecedores, parceiros de negócio etc.), quando os valores e princípio da empresa são desrespeitados para se obter ganhos financeiros de curto prazo.
– redução indiscriminada dos custos, incluindo demissões em excesso e redução na qualidade dos produtos e serviços, das ações de fidelização, comunicação e pós-venda.
– prática desesperada de descontos de preços, fazendo caixa no curto prazo mas reduzindo as margens de lucro e referências positivas sobre a marca, pois preço referencia a qualidade. Se a empresa não tem uma estrutura de custos e processos adaptada para trabalhar com baixos preços, com alta eficiência operacional, essa será a decisão que pode joga-la no abismo.
– foco excessivo no curto prazo, cancelando os programas de treinamentos das lideranças, reduzindo investimentos prioritários e barrando as inovações.

Importante dizer que as empresas que criaram alternativas inovadoras para seus negócios e foram coerentes com seus valores, preservando seus funcionários e a visão de longo prazo, acabaram reforçando os laços de confiança com seus stakeholders, fortalecendo a sua reputação e as probabilidades de sucesso futuros. Vale a pena lembrar que, em especial no pós-crise, as empresas novamente precisarão de gente competente e comprometida! Será a hora das empresas que mantiveram seus valores, baseadas na excelência humana e de gestão, colherem os frutos dos seus esforços, coerência e consistência.

Na retomada a empresa também precisa entender onde pode ser mais eficiente e fazer uma boa gestão de custos e processos. Um bom começo é desenvolver a consciência sobre seus problemas e capacidades competitivas, o que tem de forte e o que precisa ser melhorado (áreas de oportunidade) em todos os setores. Precisa fazer uma discussão estratégica lúcida: referenciar o passado para entender o presente, projetar o futuro desejado e detalhar as ações para construí-lo incansavelmente.

Todas as empresas, independente do seu tamanho, devem entender que a percepção positiva em torno da sua marca, bem como a forte confiança vinda da boa reputação, são construídas nos mínimos detalhes, produtos, serviços e contatos com os clientes e demais stakeholders. Agir com coerência e consistência, alinhando a prática ao discurso, é fundamental para construir e manter a boa imagem ao longo do tempo. A construção e fortalecimento dessa boa imagem ao longo do tempo é exatamente o que ergue a reputação da empresa, motor da retomada no pós-crise.

Em meus 22 anos de estudos e experiências como executivo e consultor percebo claramente que apenas o desempenho econômico, por si só, não é capaz de garantir uma boa reputação. O desafio é muito maior! A crise nos mostrou a fragilidade de grandes corporações diante de um cenário de queda na confiança e incertezas sobre o futuro. Mostrou que pequenas startups podem prosperar pelo dinamismo, rápido ajuste ao mercado, inovação transversal, liderança próxima, metas e medições dos resultados, simplicidade estrutural e capacidade de fomentar a paixão de seus colaboradores na direção de uma causa maior do que apenas ganhar dinheiro. As empresas que investiram no fortalecimento da reputação, na inovação, nas pessoas e na gestão profissional para entregarem soluções relevantes para o seu contexto e mercado sofreram menos e se recuperaram mais rápido.

Na vida existem os que observam, os que analisam e aqueles que constroem. Como peça chave para suas decisões pessoais e profissionais, qual será a sua postura? Tenha certeza que a perseverança, o trabalho duro e a disciplina são imprescindíveis para qualquer realização, pois genialidade sem “mão na massa” dificilmente gera resultados. Aliás, Thomas Edison no início do século XX já dizia que sucesso é 10% inspiração e 90% transpiração…

Para aprofundar sobre o tema, livro “Dobre Seus Resultados: implemente estratégia, liderança, alto desempenho e decisão profissional”.

One Comment

  1. Rafael-Reply
    20 de janeiro de 2018 at 17:18

    Excelente artigo, já estamos implementando em nossas empresas com o apoio do Carlos Caixeta.

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